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Showing posts from January, 2019
furacão. procurar ocupação. fazer filme onde não há. estar onde não se está. desatino. desatentamentos. complicamentos. entretenimentos. distração. aqui e ali. acolá e acoli. que confusão. mexe e remexe. vai e não vai. espera e desespera. deixa-te estar. ai. ~bicho-carpinteiro
procurar uma casa que se goste é como procurar um homem que se goste: pesquisas aqui e ali, tentas, falhas, persistes, quase que acertas, erras à séria, tens energia, tiram-te a energia, cansas-te, mandas tudo à merda, até que, não se sabe bem como, alguma coisa mesmo boa acontece.

o encontro ideal

Sinto-me meio adoentada mas mesmo assim saio de casa. Não sei se por me apetecer sair, de por não conseguir ficar. Subo as escadas da Bica à pressa, o elevador não interrompe o ritmo. Chego a horas, na verdade, cinco minutos mais cedo. Entro, olho à minha volta. Pessoas mais velhas, com casacos a cheirar a armários antigos e jornais artísticos abertos, a ocupar todo o espaço das mesas redondas, sem por isso invadirem o espaço do outro. Pergunto se o filme 'é giro'. Respondem-me 'giro não será a palavra, mas é um bom filme'. Troco mais dois dedos de conversa, estava mesmo a precisar, e lá peço um bilhete para o Dogman, o novo filme do Matteo Garrone, o tipo do Gorroma - claro que se lembram o mega sucesso sobre a máfia italiana. Escolho um lugar do lado esquerdo, aqui não os há marcados. Antes disso ainda espero trinta segundos que a porta seja aberta pelo rapaz do costume, que já me conhece apesar de eu ter ido lá só uma vez. Rapaz novo e simpático este, bem lisboeta....
e quando a cabeça faz tudo para não fazeres o que a intuição te está a tentar dizer? ou vice-versa. ~aqui e agora

lisboa menina e mulher

Ontem à noite troquei o copo de vinho no bar pelo chá no circulo de mulheres. Leram bem: c i r c u l o d e m u l h e r e s. Perguntam-me, e pergunto-me, como é que fui lá parar. A verdade é que, nos últimos dois anos, quase três, tenho-me tornado mais e mais curiosa sobre esta coisa da energia feminina, a colaboração entre mulheres e a importância de termos lugares onde podemos simplesmente estar, sem filtros. Quando as mulheres se juntam sem merdas aka tirando as máscaras da sociedade - a mulher sexy, a poderosa, a mãe, a ambiciosa, a nerd , eu sei lá mais qual, a vulnerabilidade substitui as máscaras, a partilha supera a competição e, mal ou bem, vamos desbloqueando o que nos está a impedir de sermos nós mesmas. Our better version of ourselves . Super lame, right? Pois é, mas também verdadeiro. E não aprendi isto nos livros mas através de práticas de auto-conhecimento como o yoga, a meditação e a escrita diária. E, como os hippies, dizem, quanto mais ligados à nossa essência estamos...

mistérios de uma casa partilhada #1

As coisas que desaparecem e ninguém sabe onde estão. O lixo a transbordar que ninguém vê. As migalhas que ninguém fez.

escalfado à Lisboeta

No Bairro da moda, mesmo ao lado de São Paulo, onde casas de máquinas, empreiteiros 'eh lecas', mercearias biológicas e cafés finórios para bifes nascem à velocidade de pombos, encontramos bem disfarçado, o Escalfado. Dizem os mais românticos, que é isto mesmo que se quer numa pérola lisboeta: difícil de encontrar, mais difícil de sair. Aqui cumprem-se ambos. O ambiente acolhedor, pintado a azuis e rosa, a simpatia honesta das pessoas que lá trabalham, a comida deliciosa a saber a Portugal e, claro, uma boa bica, nada falta no número quatro da Merca-Tudo. O Escalfado não é um café, nem um restaurante. Chamemos-lhe um snack-bar lisboeta dos tempos modernos, onde se pode tomar um belo pequeno-almoço durante todo o dia, beber um bom café tirado à moda barista e comer deliciosos pratos do dia e de sempre, reinventados com um toque internacional. Tudo regado com simpatia portuguesa, produtos nacionais e sazonais e uma despretensão e honestidade muito nossas. Ana Lopes, a chefa ...

à caça de casa

Detesto o Tinder mas começo a pensar seriamente em encontrar o flatemate online. ~

snobeira lisboeta

Às vezes ponho-me a pensar se me terei transformado numa snob ao viver fora tantos anos. Talvez já o fosse antes e, por isso mesmo, sentir que tinha que ir para conseguir voltar em paz. Misturo o inglês e o português, num mix desajeitado e, por vezes, não tão cuidado como deveria. Afinal, estamos a falar da menina que come livros enquanto lê a sopa à hora de almoço - obrigada avô, mal sabia que o livro um dia seria trocado pelo telemóvel, oh tamanha tristeza essa. Pois que a menina tornou-se mulher e, mesmo sem sempre saber o que quer, uma coisa é certa: há tanta ideia, tanta coisa nesta cabeça, que tem que ser partilhada, quer recebida desse lado, quer nem por isso. Como já disse atrás, ou talvez não, a ideia deste blog é partilhar ideias, experiências e locais que vão surgindo quando me sento com o meu primo do Moleskine e um café americano ou copo de vinho. Muitos sentem que 'estou sozinha' mas, da minha modesta experiência, apesar de muitas vezes mais gente na mesa, raras...

quem não casa, quer casa

Eis que após dois anos a viver sozinha me vejo de novo, qual chegada a Londres ou de Erasmus em Madrid, a partilhar casa. Desta vez em Lisboa e com gente a mais para uma casa-de-banho, não importa qual, importa o rácio 4/1. Quatro adultos e uma retrete, poder-se-ia chamar este texto. Imaginem acordar de manhã e querer fazer xixi mas ter que aguentar até os palavrōes menos cordiais não chegarem, pois do mini banheiro ouvem-se gargarejares ou outros ares. Aiiii estou aflita, my dears! Será que devia comprar um penico, penso para mim, aquelas coisas que nunca se deveriam escrever, não uma mulher solteira - não vá um homem interessante ler isto um dia. Se o cenário não é sexy, vivê-lo menos ainda. Imaginem ainda, ao tentar aquecer o mini quarto, por singelos 10 minutos, com o mini aquecimento, a ver se consigo meditar sem congelar, ouvir o quadro a ir a baixo e o querido coleguinha de casa a bater a porta do meu quarto a perguntar se tenho algo ligado. Sim, querido, tenta dormir aqui e lo...

no bar

Ontem fui sair, hoje bebo água. Muita água. E sumos com verdes cheios de vitaminas e chá desintoxicante. Mentira, bebo café preto feito na cafeteira caseira e como papas de aveia cheias de dióspiro, banana, mel, canela e amêndoas, em leite de arroz. YUM. Manhãs solarentas de domingo, em que a minha casa partilhada está silenciosa, com todos os coleguinhas fora. Ouço o vizinho de cima espirrar, as maravilhas de viver num bairro histórico de Lisboa. A máquina lava a roupa escura em programa económico e eu queimo o céu da boca. Queimo sempre o céu da boca, como se fosse a primeira vez. Já nem me chateio com isso. Penso na noite de ontem, em que oscilei entre o bairro alto e o meu bairro, acabando ali no bar da rua de baixo, a Tabacaria. Vinho tinto bom, chamado diálogo, apelando ao mesmo. Falamos de amor, de desamor, de homens, de inseguranças, do que torna um vinho bom. Bebemos copos de água com limão entre os tragos de tinto. Já não temos 20 anos e sabemos que temos que ter mais cuidad...

table for one, please. Yes, for one. Smile.

Ao subir a Rua Garrett ao Chiado, envergonhada com o meu saco de plástico da Zara que denuncia uma rapidinha nos saldos da mesma, vou deixando as lágrimas correr debaixo dos óculos de sol de uma qualquer marca hispter londrina. A que ponto se chega, este de ouvir um músico a tocar uma versão acústica do Justin Bibier e desmanchar toda a máscara de power women, embora mantendo toda uma esperança em estar completamente enganada com a proveniência da mesma. Chama-se vulnerabilidade, meus caros. Isso e hormonas em dia de lua nova e eclipse, em que é como quem diz, aquela altura critica para nós. Nós mulheres, claro, as complicadas, confusas, emocionais. Credo, num momento estamos em altas, no outro mal rastejamos pelo chão. Num dia o cabelo parece da Pantene, noutro está tão mau que nem rapado - felizmente vivemos na era moderna e há shampoo seco. Num segundo queremos aquela pessoa, aquela roupa, aquele trabalho, aquele chocolate para logo a seguir acabarmos tudo, irmos trocar as calças, ...