table for one, please. Yes, for one. Smile.

Ao subir a Rua Garrett ao Chiado, envergonhada com o meu saco de plástico da Zara que denuncia uma rapidinha nos saldos da mesma, vou deixando as lágrimas correr debaixo dos óculos de sol de uma qualquer marca hispter londrina. A que ponto se chega, este de ouvir um músico a tocar uma versão acústica do Justin Bibier e desmanchar toda a máscara de power women, embora mantendo toda uma esperança em estar completamente enganada com a proveniência da mesma. Chama-se vulnerabilidade, meus caros. Isso e hormonas em dia de lua nova e eclipse, em que é como quem diz, aquela altura critica para nós. Nós mulheres, claro, as complicadas, confusas, emocionais. Credo, num momento estamos em altas, no outro mal rastejamos pelo chão. Num dia o cabelo parece da Pantene, noutro está tão mau que nem rapado - felizmente vivemos na era moderna e há shampoo seco. Num segundo queremos aquela pessoa, aquela roupa, aquele trabalho, aquele chocolate para logo a seguir acabarmos tudo, irmos trocar as calças, despedirmo-nos e, claro, comer mais chocolate e por mais shampoo seco. OBVS como dizem os vizinhos do Brexit. Na outra mão carrego um saco de papel do celeiro, daqueles que é tão mau que nunca dará para reutilizar, mas vá, ao menos o logotipo do celeiro dá-me uns pontos extra de 'menina decente que recicla e come coisas naturais', na altura mais épica do capitalismo e do fast fashion, a qual já referi em cima. Merda, fui de novo enganada, por uma camisola com 'mangas lindas' e um cachecol de Zebra, relembrando não os meus tempos africanos mas este beicinho recorrente face tudo o que é selvagem. Agora, sentada numa almofada no chão do meu quarto numa casa partilhada na Bica, após meditar com cristais e outros que tais e beber um delicioso chá de camomila, decido retomar a escrita. Quer dizer, escritas não tem faltado, anda aí em todos os cantos deste quarto, entre cadernos, ficheiros, guardanapos e pensamentos. Faltava um sitio online para colocá-la. Peguei no blog antigo. Dei-lhe cor e outro nome. Mudei layout, fonte, estilo, tudo. Publiquei textos antigos e poemas novos. Mas coitado, difícil seria de facto ressuscitar um moribundo. Volto a Janeiro de 2018, na minha cabeça distraída. Volto àquela ilha tão menos paradisíaca que as fotos do Instagram que lá me levaram, Phu Quoc, no Vietnam mas mais perto do Camboja. Regresso àquele restaurante de grelhados, em que me sentava todas as noites a comer milho - adivinhem como -, provavelmente arroz e com sorte um peixinho, se houvesse do meu tamanho. Sim, isto que estar sozinha não é simples. Escolher a roupa para ir jantar. Escolher o restaurante - mais sobre isto no futuro mas em casa de duvida, sentem-se no da mamma locale. Ser aceite numa mesa que daria muito mais lucro de qualquer maneira, sobretudo se a cliente for vegetariana e só comer peixe ocasionalmente e 'se for de um tamanho decente para não se estragar'. Sentar na dita mesa e escolher o mood. Preciso de atenção, procuro a atenção, deixem-me estar, não se cheguem perto senão mordo. Sacar do Moleskine e começar a escrever sem regra nem jogo. Ocasionalmente, lá sai um poema ou uma decisão importante, entre linhas tortas e listas grandes demais. Pedir o menu. Pedir algo pequeno. Comer o algo pequeno. Saborear todo e cada bocadinho, tarefa mais simples de manhã em cafés giros. Mas foi num restaurante que este blog começou, mesmo antes de ser blog. Foi a cheirar a peixe grelhado, e ao lado de uma família italiana feliz que a ideia surgir. Table for one, please. Yes, one. Smile O titulo era grande demais, por isso lembrem-se. Se quiserem ler a miúda que escreve sozinha na mesa, deixando apenas ocasionalmente algué, se juntar, é aqui que têm que vir. Bom proveito, que apetite temos todos. 

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