lisboa menina e mulher

Ontem à noite troquei o copo de vinho no bar pelo chá no circulo de mulheres. Leram bem: c i r c u l o d e m u l h e r e s. Perguntam-me, e pergunto-me, como é que fui lá parar. A verdade é que, nos últimos dois anos, quase três, tenho-me tornado mais e mais curiosa sobre esta coisa da energia feminina, a colaboração entre mulheres e a importância de termos lugares onde podemos simplesmente estar, sem filtros. Quando as mulheres se juntam sem merdas aka tirando as máscaras da sociedade - a mulher sexy, a poderosa, a mãe, a ambiciosa, a nerd, eu sei lá mais qual, a vulnerabilidade substitui as máscaras, a partilha supera a competição e, mal ou bem, vamos desbloqueando o que nos está a impedir de sermos nós mesmas. Our better version of ourselves. Super lame, right? Pois é, mas também verdadeiro. E não aprendi isto nos livros mas através de práticas de auto-conhecimento como o yoga, a meditação e a escrita diária. E, como os hippies, dizem, quanto mais ligados à nossa essência estamos, melhor escolhemos o que nos faz feliz e começamos a atrair as pessoas e energia que precisamos neste momento.
Mas então o que é isto do círculo de mulheres? Um círculo de mulheres é uma sessão de partilha, onde várias mulheres se juntam, independentemente da idade, estatuto social, profissão, ou ciclo da vida em que estão. Começa-se com um pequeno ritual de limpeza espiritual, com palo santo ou outros que tais (eu pessoalmente adoro incluir cristais) e sentamo-nos, adivinhem, em circulo ou algo parecido, à volta de um altar, ou seja, um centro bonitos com coisas bonitas como velas, estatuetas, cristais, flores, tecidos. Aqui, como na vida, a criatividade é o limite e acredito que todas temos a nossa interpretação do que isto pode ser. Pessoalmente, e em casa, tenho um flamingo de palhinha comprado num mercado manhoso da África do sul ao lado de um buddha de madeira da Tailândia, um búzio gigante que era da minha avó São, umas cartas que dizem frases disparatadas mas que adoro trazidas de London Baby, entre outras coisas como uma vela que cheira bem da H&M (sorry, até ser milionária será assim), incenso da Índia e cristais, lindos e brutais cristais.
Voltando ao círculo, começamos com apresentaçōes, mais ou menos formatadas - eu nos meus retiros gosto mais da segunda opção pois dá-nos mais liberdade para nos livrarmos das etiquetas do dia-a-dia e evitamos a parte de nos chamarmos irmãs, algo que me dá comichão), e falamos sobre a intenção da sessão, porque estamos ali e sei lá, na verdade o que nos vem à cabeça no momento. O princípio é ligarmo-nos mais à intuição (chamem-lhe coração, instinto, essência, verdade, escolham) e deixarmo-nos levar. Numa sociedade patriarca, onde a energia Yang, masculina, ambiciosa, activa e competitiva domina o nosso dia-a-dia, é só a mim que faz sentido precisarmos de trabalhar a parte mais calma, mais feminina, mais criativa, mais cuidadora? Pensem nas maēes, avós, sábias, bailarinas, artistas, poetisas, escritoras e todas essas mulheres incríveis desde mundo que nos inspiram. O que têm elas em comum? Como cuidam elas de si, e de nós, cada uma à sua maneira mas com um ponto muito forte em comum: dando asas à sua essência feminina, respeitando os seus ritmos, tempos, aceitando-se tal e qual como são e, com o tempo, libertando-se das merdas que esta sociedade nos coloca não só na cabeça como no DNA.
Ai, tanta coisa para digerir, é melhor ir com calma. Façamos um resumo. A nossa maior potencialidade de cura já está dentro de nós. Demo-nos espaço para nos conhecer melhor. Tomar conta de nós, mimarmo-nos. Aprendamos o que nos faz bem, quem nos faz bem, o que precisamos neste momento. Com calma. Respiração após respiração. Prática após prática. Dia após dia. E o resto acontecerá naturalmente. Sem pressas. Ao seu ritmo muito natural. Da mesma maneira que a Natureza sabe como cuidar das suas sementes, nós também sabemos. E assim me retiro com as metáforas à Alberto Caeiro, ou daqui a bocado estou a dizer-vos para irem abraçar arvores. Isso e um grande Namaste. 

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