escalfado à Lisboeta
No Bairro da moda, mesmo ao lado de São Paulo, onde casas de máquinas, empreiteiros 'eh lecas', mercearias biológicas e cafés finórios para bifes nascem à velocidade de pombos, encontramos bem disfarçado, o Escalfado. Dizem os mais românticos, que é isto mesmo que se quer numa pérola lisboeta: difícil de encontrar, mais difícil de sair. Aqui cumprem-se ambos. O ambiente acolhedor, pintado a azuis e rosa, a simpatia honesta das pessoas que lá trabalham, a comida deliciosa a saber a Portugal e, claro, uma boa bica, nada falta no número quatro da Merca-Tudo.
O Escalfado não é um café, nem um restaurante. Chamemos-lhe um snack-bar lisboeta dos tempos modernos, onde se pode tomar um belo pequeno-almoço durante todo o dia, beber um bom café tirado à moda barista e comer deliciosos pratos do dia e de sempre, reinventados com um toque internacional. Tudo regado com simpatia portuguesa, produtos nacionais e sazonais e uma despretensão e honestidade muito nossas.
Ana Lopes, a chefa do espaço, regressa a Portugal com a família após mais de uma década a viver em Londres, trabalhando como arquitecta naqueles ateliers que nos fazem sonhar com casas perfeitas e um mundo mais bonito. De regresso ao seu país, decide por a mão-na-massa e, adivinharam, abrir um café com pinta. Da ideia à execução, várias coisas mudaram, adaptadas ao contexto lisboeta e clientes que experimentam e voltam. De poached passou a escalfado, os ovos com bacon foram substituídos pela barriga de porco e os bolos sem açúcar, são antes sem gluten, não por moda mas pois o seu marido é celíaco. Há que transformar os desafios em oportunidades.
Então mas aqui é tudo escalfado? Ou tudo leva ovo escalfado?, perguntam e bem. Certamente que não, mas esta famosa proteína de galinhas do campo felizes pode ser adicionada aos diferentes pratos e cai muito bem em cima duma bela sopa. Outra particularidade é mesmo o café de moagem lenta e todo esse léxico de especialidade que está chegar a Lisboa, um pouco por todo o lado. O lisboeta cool, de cá ou de fora, está cada vez mais exigente no que toca à boa-velha-bica-dos-50-cêntimos e, paga pela qualidade e conforto de um espaço cuidado.
E que mais, porquê quê vou lá à sentar-me com o primo do Moleskine?
O Escalfado é o tipo de sitio em que sabe tão bem ir sozinha(o) como acompanhada(o). Dá tanto para o perfeito girl date com torradas de pão da gleba cheias de coisas boas como requeijão e doce ou abacate e ovo-adivinhem-como (agora no Inverno substituído por hummus de beterraba, apostando no ferro e nos legumes da época) como para aquele café de filtro equilibrado e fatia de bolo ao balcão, entre migalhas que não sobram e dez dedos de conversa - olhem que o bolo de chocolate, de derretida textura por dentro e rijinho por fora, vai mesmo bem, não recomendado a puristas do-não-açúcar.
Voltando ao balcão, ai aquele balcão azulão, com vinhos e copos lindos do outro lado, arranjos de flores despretensiosos, um jarro de água com cascas de citrinos e pau de canela, mega taça de frutas variadas e, claro, a bonita máquina de café que tanto tira boas bicas e americanos como inspira a latte arte, aqueles coraçōes e flores nas meias-de-leite modernas. Se café não for a sua chávena de chá, os sumos espremidos na hora são vitaminas em forma de mimo. E, se, for mais como eu e os vinhos lhe estiverem a dizer olá, é esperar que os encontros possam começar a ser feitos mais para o final do dia, na hora do lusco-fusco só nosso, sentados no balcão ou não. Fica pois a sugestão.
O Escalfado
Rua do Merca-Tudo, n 4
1200-267 Lisboa
Terça a Domingo das 9h às 17h
O Escalfado não é um café, nem um restaurante. Chamemos-lhe um snack-bar lisboeta dos tempos modernos, onde se pode tomar um belo pequeno-almoço durante todo o dia, beber um bom café tirado à moda barista e comer deliciosos pratos do dia e de sempre, reinventados com um toque internacional. Tudo regado com simpatia portuguesa, produtos nacionais e sazonais e uma despretensão e honestidade muito nossas.
Ana Lopes, a chefa do espaço, regressa a Portugal com a família após mais de uma década a viver em Londres, trabalhando como arquitecta naqueles ateliers que nos fazem sonhar com casas perfeitas e um mundo mais bonito. De regresso ao seu país, decide por a mão-na-massa e, adivinharam, abrir um café com pinta. Da ideia à execução, várias coisas mudaram, adaptadas ao contexto lisboeta e clientes que experimentam e voltam. De poached passou a escalfado, os ovos com bacon foram substituídos pela barriga de porco e os bolos sem açúcar, são antes sem gluten, não por moda mas pois o seu marido é celíaco. Há que transformar os desafios em oportunidades.
Então mas aqui é tudo escalfado? Ou tudo leva ovo escalfado?, perguntam e bem. Certamente que não, mas esta famosa proteína de galinhas do campo felizes pode ser adicionada aos diferentes pratos e cai muito bem em cima duma bela sopa. Outra particularidade é mesmo o café de moagem lenta e todo esse léxico de especialidade que está chegar a Lisboa, um pouco por todo o lado. O lisboeta cool, de cá ou de fora, está cada vez mais exigente no que toca à boa-velha-bica-dos-50-cêntimos e, paga pela qualidade e conforto de um espaço cuidado.
E que mais, porquê quê vou lá à sentar-me com o primo do Moleskine?
O Escalfado é o tipo de sitio em que sabe tão bem ir sozinha(o) como acompanhada(o). Dá tanto para o perfeito girl date com torradas de pão da gleba cheias de coisas boas como requeijão e doce ou abacate e ovo-adivinhem-como (agora no Inverno substituído por hummus de beterraba, apostando no ferro e nos legumes da época) como para aquele café de filtro equilibrado e fatia de bolo ao balcão, entre migalhas que não sobram e dez dedos de conversa - olhem que o bolo de chocolate, de derretida textura por dentro e rijinho por fora, vai mesmo bem, não recomendado a puristas do-não-açúcar.
Voltando ao balcão, ai aquele balcão azulão, com vinhos e copos lindos do outro lado, arranjos de flores despretensiosos, um jarro de água com cascas de citrinos e pau de canela, mega taça de frutas variadas e, claro, a bonita máquina de café que tanto tira boas bicas e americanos como inspira a latte arte, aqueles coraçōes e flores nas meias-de-leite modernas. Se café não for a sua chávena de chá, os sumos espremidos na hora são vitaminas em forma de mimo. E, se, for mais como eu e os vinhos lhe estiverem a dizer olá, é esperar que os encontros possam começar a ser feitos mais para o final do dia, na hora do lusco-fusco só nosso, sentados no balcão ou não. Fica pois a sugestão.
O Escalfado
Rua do Merca-Tudo, n 4
1200-267 Lisboa
Terça a Domingo das 9h às 17h
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