No oitavo ano, acho que foi no oitavo ano mas talvez tenha sido mais cedo, havia um miúdo que me dizia o quão feia era, tal era o meu mau gosto para roupa, o rabo redondo e o buço que aparentemente se via, mesmo sem eu o ver. Vim a saber mais tarde que gostava de mim. Que forma estranha esta de gostar. Mais tarde ainda, ouve outro miúdo que me enrolava tanto que nos enrolamos tantas vezes. Ao ponto de dizer que a minha mãe era louca e que eu devia ser como ela. Ao ponto de eu me esquecer, de me apagar. E, de voltar, sempre que eram falinhas mansas, as quais sempre viravam agressões. Sabes, acho que és um mix destes dois. Agressividade não tem que ser bater, essa também já vivi, já senti. De me sentir tao pequena e não ter força para ele. De ser forçada a fazer o que não queria. De me sentir humilhada, presa, perdida. Ferida. Em silêncio, sempre. Sabes, acho que é um mix destes todos e de sei lá mais quantos que não me ouviram, que nem tentaram ouvir. Que não me respeitaram porque nem percebem o que é isso: respeito. Respeito pelo outro, pelos seus sinais, palavras, limites, gestos. Esses e outros deixaram-me marcas - curiosa a vida, já nem me lembrava. Foram curadas com amor. Sabias, o amor, esse sim, cura tudo. Não o tempo. Por isso te agradeço. Agradeço-te por seres uma besta. Por me ter deixado levar (de novo) com falinhas mansas. Por me ter deixado molestar por palavras, gestos e acçoes descompensadas. Por te ter respondido. Por me teres..., isso. Obrigada. Fico feliz que tenha sido pouco e que, hoje em dia, eu me queira muito. Sim, hoje quero-me muito. Tanto que não há espaço para ti. Nem para outros como tu. Vai-te f... E não voltes.

~ #metoo

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