não é a mudança em si. juro. não é o por a vida em caixas. o ter que seleccionar o que é e o que já não é. as lágrimas que me lavam antes do banho. juro que não é. não e o medo do futuro. o medo do que virá a seguir. do adaptar. do não adaptar. juro que não é. o pânico de voltar para casa do pai. para o quarto do irmão. para uma cama que não conheço. será que tenho cama sequer? juro que não sei o que juro. voltar a sentir-me uma adolescente. voltar a sentir-me que falhei. voltar a ter saudades de londres. querer voltar. querer a minha vida de volta. ( que vida?) ou talvez seja isto tudo. o querer ir sabe-se lá para onde. Tel Aviv, América Latina, Marrakesh. O mundo. juro que o quero todo. o voltar a pensar 'fuck it. caguei. caguei nesta merda toda. mas a verdade é que não é merda. é a vida. a minha vida. por isso nao caguei. fico. juro que (nã) fico. ~11:11
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Showing posts from April, 2019
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Tenho dias de grande confusão. Dias em que acordo e não sei o que me apetece fazer. Penso em mil ideias, em mil planos, mas tudo parece errado. Talvez seja mesmo por isso. Porque nem todas as ideias e planos são certos. Não para certos dias, fases e momentos. Quando isto acontece, sento-me. Ultimamente sento-me todos os dias de manhã. Eu e o meu café. Medito com o meu café, um ritual matinal. Faço, ou aqueço o café na minha cafeteira favorita, até o barulho da ebulição dizer-me que está na hora. Depois vou para o quarto e sento-me. Cheiro o café. Dou golinhos pequenos no café. Agarro a mini tacinha entre as mãos, qual ritual Japonês de chá. Adoro manhãs. Tenho dificuldades com a noite. A noite para mim é complicada. Tudo entre as 11 e as 6 da manhã é complicado. Mas depois passa. Quando estou eu e o meu café, tudo passa. Menos a indecisão. Então sento-me e espero. Não faço nada, ou muito pouco. E bebo mais uns golos. Sempre mais uns golos.
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No oitavo ano, acho que foi no oitavo ano mas talvez tenha sido mais cedo, havia um miúdo que me dizia o quão feia era, tal era o meu mau gosto para roupa, o rabo redondo e o buço que aparentemente se via, mesmo sem eu o ver. Vim a saber mais tarde que gostava de mim. Que forma estranha esta de gostar. Mais tarde ainda, ouve outro miúdo que me enrolava tanto que nos enrolamos tantas vezes. Ao ponto de dizer que a minha mãe era louca e que eu devia ser como ela. Ao ponto de eu me esquecer, de me apagar. E, de voltar, sempre que eram falinhas mansas, as quais sempre viravam agressões. Sabes, acho que és um mix destes dois. Agressividade não tem que ser bater, essa também já vivi, já senti. De me sentir tao pequena e não ter força para ele. De ser forçada a fazer o que não queria. De me sentir humilhada, presa, perdida. Ferida. Em silêncio, sempre. Sabes, acho que é um mix destes todos e de sei lá mais quantos que não me ouviram, que nem tentaram ouvir. Que não me respeitaram porque nem ...
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Encontrar uma casa decente é igual ou piormente complicado que encontrar um homem decente. Estas palavras soam tão sábias que parece que já as escrevi antes. Se calhar já as escrevi antes. Certamente já as pensei antes. Ou o bairro é bosta. Ou a rua é feia. Ou nem qualifica a rua e é praceta. Ou o prédio está a cair de podre. Ou os vizinhos alimentam pombos. Ou a luz não e directa. Ou a casa é torta. Ou a energia é estranha. Ou a cor, não se entranha. Ou pequena demais. Ou demasiado estranha. Ou o agente é um amor. Ou o dono um estupor. Ou tem poliban. Ou os canos velhos. Ou a cozinha é techie. Ou o w/c hi-tech. Ai. Ai que ainda nem a meio vou e já estou cansada de mim. Ando meio muito cansada de mim. E de procurar casa. E de não sentir 'a casa'. Sinto que preciso de procurar mais um bocadinho. Tenho que procurar mais um bocadinho. Gosto das primeiras casas que vi. Mas quero ver mais. Vês, encontrar uma casa decente é igual ou piormente complicado...
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músicas que fazem festinhas, chocolate que sabe a beijos, desejos não satisfeitos. como peixe em vez de carne, bebo limonada em vez de sumo de laranja, chá em vez de café. bocadinhos pequeninos quando se quer o mundo, pensar-se preto quando se veste o arco-iris, aceitar menos quando se quer mais. o corpo pode ser enganado mas a alma não é tola. a mim é que não me enganas.